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Capital de risco dá sinais de retoma
O mercado do capital de risco esteve em debate no passado dia 10 de Novembro no Pavilhão de Portugal, em Lisboa. O 6º Encontro Gesventure reuniu um leque de especialistas que apontaram as falhas do mercado e os caminhos a seguir para o levar ao sucesso. Consensual foi a constatação de que, ao nível do capital semente, os investimentos continuam a mostrar-se fracos. As boas notícias são que o primeiro semestre deste ano evidencia já claros sinais de retoma
POR CRISTINA PEREIRA
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EyeWire |
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»» Nem só de capital de risco se falou no 6º Encontro Gesventure. Para enquadrar o mercado no panorama económico nacional, Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças, fez uma análise prospectiva da economia portuguesa. E para falar de economia nacional, nada melhor do que começar pela do bloco económico em que ela se insere. Acontece que a economia europeia atravessa um período pouco dinâmico face aos outros blocos económicos, como os Estados Unidos e a Ásia. Como salientou Eduardo Catroga, a situação “já não é de hoje”. De facto, desde a queda do muro de Berlim, “a Alemanha cresceu cerca de 17 por cento, ao passo que os Estados Unidos cresceram 50 por cento”. Para a Europa inverter esta tendência, tem de ter “coragem para atacar questões estratégicas”, entre as quais a da flexibilização das relações económicas.
No que se refere à produtividade, a Europa também perde para os Estados Unidos. Se a produtividade por hora de trabalho não é muito diferente entre os Estados Unidos e a França, o número de horas trabalhadas é menor na segunda. “Os europeus querem ter mais tempo para o lazer”, criticou Eduardo Catroga. E se a Europa ainda não soube responder ao desafio demográfico, os Estados Unidos põem em prática “políticas de imigração inteligentes”.
E, obviamente, toda esta situação condiciona a capacidade de desenvolvimento da economia portuguesa, que tem desafios de peso pela frente. A começar pelo desafio da produtividade e da competitividade. Se, a partir dos anos 60, a economia portuguesa foi um caso de sucesso, nos últimos quatro anos tem-se registado um forte abrandamento: “Estamos a perder velocidade, não só em relação à média europeia, como em relação a Espanha”, alertou o ex-ministro das Finanças. Em vista deste facto, impõe-se uma questão-chave: “Como aumentar o crescimento do PIB potencial”?
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| Eduardo Catroga |
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Para vencer o desafio face à economia espanhola, que, desde 1998, cresce mais do que a nossa, “temos de expandir as nossas empresas para Espanha”, incentivou. Neste campo, Eduardo Catroga defendeu o desenvolvimento de “políticas inteligentes para manter os centros de decisão nacional e de competência no País”.
Quanto ao desafio do alargamento, tendo em conta que os novos membros da União Europeia apresentam 50 por cento do rendimento per capita de Portugal, 40 por cento do nosso salário mínimo e uma maior qualidade dos recursos humanos, é de crer que “rapidamente estes países vão crescer de forma muito dinâmica”.
Relativamente ao problema da política orçamental, Eduardo Catroga declarou que as suas raízes estão no facto da despesa pública crescer desde os anos 70 muito mais do que as economias. O mesmo acontece na União Europeia, onde esta atinge cerca de 50 por cento do PIB. E Portugal segue a mesma tendência, com vários governos a adoptarem políticas orçamentais “erradamente expansionistas”. O que é necessário, sugeriu, é “aproveitar os períodos das vacas gordas para uma consolidação orçamental saudável”. Via que Espanha tem seguido, mas não Portugal. E, finalizando, Eduardo Catroga declarou que “qualquer orçamento que aumente o peso da despesa pública no PIB neste momento é mau”.
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| Sérgio Póvoas |
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Capital de risco em números Os números do capital de risco evidenciam já uma retoma palpável do mercado nos últimos meses. Sérgio Póvoas, director de operações da Gesventure, revelou que no primeiro semestre de 2004 foram investidos mais de 107 milhões de euros (mais 66 por cento do que no semestre anterior), num total de 59 operações. Por seu lado, Francisco Banha, director geral da Gesventure, congratulou-se com a recuperação patente no mercado, tanto em termos de investimentos como de fundos angariados, valores que se situam, aliás, em “níveis já próximos dos que se verificavam em 2000”.
É a indústria (38 por cento) que os operadores privilegiam nos seus investimentos, seguida dos transportes (29 por cento) e do turismo e restauração (20 por cento). Quanto à Internet, salientou Sérgio Povoas, que chegou a deter 50 por cento do peso dos investimentos por altura do boom, não arrecada hoje mais do que 0,74 por cento dos investimentos. Por zonas geográficas, Lisboa (37 por cento) tem vindo a perder algum peso em relação ao resto do país (34 por cento), concentrando o Porto 24 por cento dos investimentos. Começam também a aparecer os investimentos no estrangeiro, com cinco por cento do total.
Ainda assim, apesar deste cenário “aparentemente rosa”, Sérgio Póvoas não deixou de se questionar: “Por que é que o capital de risco tem um peso tão pequeno no PIB? Por que se continua a dizer que não há capital de risco em Portugal”?. Ao que parece, há ainda muito a fazer para que o capital de risco atinja 0,5 por cento do peso do PIB, objectivo estabelecido pelo último ministro da Economia. Como recordou Sérgio Póvoas, actualmente esta proporção não ultrapassa os 0,1 por cento. Uma explicação aventada por João Arantes e Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI), prende-se com a reduzida dimensão do mercado português, realidade que também se reflecte no sector do capital de risco. “Há relativamente poucos projectos e grande disputa em torno daqueles que têm essa qualidade”, acrescentou.
Sérgio Povoas destacou também a manutenção do gap do capital de risco no capital semente, situação tanto mais preocupante quanto se sabe que “é aqui que muitos projectos aparecem”. Mas, ao que parece, “não existem operadores no mercado para responder a esta lacuna”.
Será? É precisamente neste segmento do capital de risco que se desenvolve a actividade da Beta Capital. Roberto Branco, responsável da empresa, forneceu alguns pormenores sobre os aspectos que a Beta Capital privilegia na escolha dos projectos em que investe, como o tipo de projecto, as características dos promotores, uma certa flexibilidade relativamente a aspectos formais e a manutenção de custos fixos baixos. A empresa exige ainda que os projectos sejam inovadores, de âmbito não exclusivamente regional, que tenham potencial de crescimento e que sejam financeiramente viáveis. Os sectores em que a Beta Capital exerce a sua actividade são os novos materiais, a electrónica, as TIC e as ciências da vida.
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| Arantes e Oliveira |
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Estado já cumpriu o seu papel Mas uma andorinha não faz o Verão. Arantes e Oliveira também se referiu ao gap patente na área do “early-stage”, declarando que a responsabilidade para alterar esta situação “está em todos nós”. Como sublinhou, “entre operadores privados e públicos, tem de se tentar acabar com esta lacuna no mercado”. Opinião semelhante apresentou Francisco Banha: “Os investidores pensam que esta fase cabe ao Estado. Mas temos de arriscar, ter uma política diferente em relação a estes projectos em fase inicial”, apelou.
O próprio Estado parece ter-se apercebido de que o seu papel já atingiu o limite. António Gaspar, do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI), declarou que “o esforço de financiamento da política pública via PRIME está em grande medida encerrado”. Nas fases de “early-stage”, “seed” e “start-up”, há ainda alguns esforços a fazer. Mas, sublinhou, “o esforço público tem de diminuir” na cadeia de valor do empreendedorismo. “Tem de ser forte na fase inicial, mas depois diminuir face ao sector privado”. O papel que o IAPMEI pretende agora privilegiar é o da colaboração e cooperação para colmatar as falhas dos empreendedores, nomeadamente ao nível comportamental e pessoal. Ou seja, “menos hard finance do que tem sido e mais facilitador da aproximação dos parceiros” vai ser o papel futuro do IAPMEI.
Prosseguindo com os números do capital de risco, em termos de operadores a vencedora do primeiro semestre de 2004 foi a LP Brothers, com um investimento de 39 milhões de euros, seguida da Finpro (28 milhões) e do Fundo Turismo (nove milhões). E foi precisamente para dar o ponto de vista do investidor estrangeiro que interveio David Pereira, da LP Brothers, uma sociedade de direito espanhol que entrou recentemente no mercado português de capital de risco. Afirmou que Portugal é “um país de gente fantástica e de grande riqueza intelectual”, mas que existe um “negativismo enraizado no pensamento” que dificulta “o espírito do investidor”. Para David Pereira, o investidor estrangeiro em Portugal deve ser um “exemplo de referência positiva em termos de cultura e disciplina”. Esta investidora entende que “Portugal é um mercado frutífero para o desenvolvimento da actividade de capital de risco, como também a plataforma estratégica mais importante para iniciar e desenvolver negócios para os mercados emergentes do Brasil e Angola, entre outros”.
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| Francisco Banha |
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Cluster tecnológico de Ponte de Lima dá os primeiros passos
As novas tendências também marcaram presença no 6º Encontro Gesventure. Além de Laurent Edel, um empreendedor francês que correu mundo e retratou as suas descobertas no mundo da inovação em “Le Monde Est à Nous” (Janeiro 2004), de parceria com a mulher Chine Lanzmann, é de destacar a apresentação do brasileiro Reynaldo Rocha, do grupo brasileiro Cobra. A instalação de um cluster tecnológico em Ponte de Lima já não é só uma vaga ideia. A Cobra Europa é agora uma realidade (desde este ano) e já foi assinado o acordo com Daniel Campelo, presidente da Câmara de Ponte de Lima.
A Cobra Tecnologia tem 30 anos de actividade e é o maior grupo brasileiro de TI, detido na quase totalidade do seu capital pelo Banco do Brasil. A empresa privilegiou Portugal nesta sua primeira internacionalização. Apesar de um contacto por parte do governo espanhol, “preferimos ficar em Portugal, dada a competência revelada pela Associação Portuguesa para o Investimento (API)”, além da posição que o Banco do Brasil detém em Portugal, revelou Reynaldo Rocha.
A ideia que preside à criação do cluster tecnológico de Ponte de Lima, um parque que reunirá uma série de empresas, portuguesas e brasileiras, dedicadas ao desenvolvimento de computadores, software livre e equipamentos de automação bancária, entre outros, é a de haver uma certa complementaridade entre as organizações presentes. “Não queremos concorrência interna”, salientou Reynaldo Rocha.
O responsável da Cobra avançou que o arranque vai ser feito com três dezenas de empresas. Neste momento, sete estão já dadas como certas: Cobra Europa, Forumlogia Discovery Linux, New PC Hardware e Componentes, Euro ATM, Sun Microsystems, Fundação Centro de Pesquisas e Solbi, esta última tendo a seu cargo o fabrico de todos os equipamentos de informática. O que se pretende é desenvolver nichos ainda pouco explorados em Portugal, como a integração de sistemas, o outsourcing, o software livre, os equipamentos de maior valor acrescentado, o aluguer de soluções, o e-government e call centers, entre outros.
É de destacar, na área do software livre, o projecto de disseminar o software aberto Freedows, totalmente compatível com as aplicações de desktop do pacote Windows (Microsoft). Insurgindo-se contra o monopólio da Microsoft no mercado, “que é terrível”, Reynaldo Rocha acrescentou que “free” não significa gratuito, “como a Microsoft gosta de confundir”, mas “livre”. O Fredows apresenta “todas as funcionalidades de um XP”, declarou. A única diferença é que “não vendemos licenças do Freedows, entregamo-lo por uma tarifa única anual de 27 euros e com direito à utilização de todos os seus aplicativos, como o Freedows e o Free Office”, explicou. O produto foi lançado há seis meses e já foram encomendadas cerca de 200 mil cópias no Brasil, nomeadamente pelo serviço público.
Para Reynaldo Rocha, “Portugal tem todas as condições para ser um actor do mundo globalizado”. O responsável da Cobra só não compreende por que razão os portugueses “não acreditam na imensa capacidade de gestão que têm”. Para o brasileiro, “não existe sítio melhor que Portugal para qualquer investidor”. E a tacada final: “Portugal é uma noiva desejada. Mas tem um pai que é fera, é o que eu posso imaginar”!
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| Hubert Rampersad |
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TPS, o que faltava nos modelos de gestão
O especialista holandês Hubert Rampersad apresentou o seu conceito, o Total Performance Scorecard (TPS), de que, aliás, falou pormenorizadamente em
entrevista ao PortalExecutivo.
O TPS consiste num modelo holístico e pretende melhorar a eficácia pessoal e a performance da empresa, “mas também, em última análise, de um país”, afirmou Hubert Rampersad, apelando à assistência: “Vocês têm a responsabilidade de se auto-aperfeiçoarem”. Referindo-se ainda à evolução registada por Portugal nos últimos anos, afirmou que ao nível das infra-estruturas o País se desenvolveu bastante, mas que em termos de conhecimento há ainda muito a fazer.
Como vantagens de implementação do TPS, o Professor salientou um aumento de, pelo menos, 50 por cento de empregados satisfeitos, uma redução do gap trabalho/vida pessoal e a criação de uma organização que aprende, entre outras. Reduz também aquilo a que Rampersad chama a “ausência mental” – as pessoas que estão no local de trabalho mas que não estão a trabalhar. Um inquérito realizado recentemente na Holanda demonstrou que, numa organização de 100 pessoas, 25 constituem “ausentes mentais”. O que obviamente, representa grandes custos.
Foi por se ter apercebido de que, em todos os modelos de gestão lançados nos últimos anos, algo estava em falta que Rampersad desenvolveu o TPS. O objectivo é mudar primeiro as pessoas e, daí, a organização. “Mas este é um passo que deve ser durável, não cosmético”, alertou.
A definição de um comportamento ético é também parte integrante do modelo de Rampersad. O que passa por alinhar a ambição pessoal com o comportamento pessoal. Ou seja, “tem de haver uma correspondência entre o que se pensa e o que se faz”, conforme explicou.
“Muito dinheiro se perde pelo facto das empresas não se concentrarem no capital humano. As pessoas têm de estar felizes nas empresas”, declarou. De igual modo, se a pessoa não está feliz em casa, não será produtiva no trabalho. E motivação não significa apenas um bom ordenado: “Se o dinheiro é a motivação para uma pessoa estar numa empresa, então é de curto prazo”, explicou Rampersad.
Concluindo a sua intervenção, o Professor aconselhou Portugal a arregaçar imediatamente as mangas: “Aquilo de que estou a falar é de uma revolução na gestão”, sublinhou. “Comecem isto já! Comecem esta tarde! Por vocês, pelas vossas empresas, por Portugal!”, apelou.
Portugal tem de dar o passo em frente no conhecimento Pedro Figueiredo, managing partner da Active Management, a parceira de Hubert Rampersad em Portugal, falou sobre o tema “gestão em Portugal”. O que é o mesmo que dizer, como explicou, gestão em pequenas e médias empresas.
Um dos primeiros dados que ressalta é a carência de optimismo que grassa nos nossos gestores. “Não acreditamos muito em nós próprios”, referiu. “E é difícil fazer coisas quando acreditamos pouco em nós”. Outra das razões que afecta o nosso desempenho é o nível de informalidade, que representa cerca de 28 por cento do diferencial de produtividade. “O que desincentiva o investimento por parte dos estrangeiros”, adiantou.
Mas há que dar o passo para a gestão do século XXI, cuja base é o conhecimento. Campo em que Portugal está notoriamente mal classificado, conforme atestam dados de vários estudos. “A utilização de ferramentas de gestão”, por exemplo, “em Portugal é quatro vezes mais baixa do que a média mundial”, declarou Pedro Figueiredo. E nem sempre este tipo de ferramentas é utilizado da melhor maneira: as ferramentas de certificação de qualidade, por exemplo, com uma taxa de utilização de 47 por cento em Portugal este ano, não muito distante da média mundial (2002) de 57 por cento, é feita basicamente por questões de marketing, pelo “carimbo” fornecido pela certificação. O que vai ao encontro da prioridade acordada pelas empresas portuguesas aos seus objectivos: o principal é a relação com o cliente.
Fundamental, sublinhou Pedro Figueiredo, é diferenciar a competência individual da competência organizacional, pois “individualmente os portugueses são muito competentes”. Mas há que tornar a nossa competência individual numa competência colectiva. “E é isso que não conseguimos”, adiantou. Aumentar a competência das empresas afigura-se, assim, como o único caminho a seguir no futuro. pe
| Parque Expo, um caso de sucesso |
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Um “case study internacional em termos de renovação urbana” foi como Bracinha Vieira, presidente do conselho de administração da Parque Expo, descreveu o sucesso da aventura que teve início há 11 anos, quando o Governo decidiu realizar a Expo 98.
O desafio era complexo e controverso, facto a que não era alheia a exigência de fundos públicos avultados. Mas a parceria público/privado deu os seus frutos. Ao contrário do Euro 2004, que, acabada a festa, deu também por encerrados os efeitos económicos, a Expo 98, depois de terminada, continua a ter efeitos económicos.
O desafio que se colocava – cinco anos para desmantelar uma plataforma industrial de 330 hectares – forneceu também uma oportunidade única: “A construção de raiz de uma nova cidade, com infra-estruturas muito modernas e espaços públicos urbanos de grande qualidade”.
A Expo 98 foi o êxito que se sabe, tendo recebido 10 milhões de visitantes. Os equipamentos-âncora, como o Pavilhão de Portugal, o Oceanário, que continua a acolher 500 mil pessoas por ano, e outros, foram pensados também para o período pós-Expo. Acabada a festa, entrou-se imediatamente no lançamento do Parque das Nações.
O investimento bruto na Parque Expo ascendeu aos 2000 milhões de euros, na sua maioria sob a forma de empréstimos bancários garantidos pelo Estado. A Expo gerou receitas de 365 milhões de euros e a Parque Expo tem ainda um défice de 300 milhões a pesar nas suas contas. Até hoje, a empresa pagou mais de 400 milhões de euros em juros à banca. As receitas directas do projecto ascendem até à data a 1,4 mil milhões de euros, o que Bracinha Vieira classifica como “um bom resultado”.
A Expo foi “o melhor negócio do Estado português do século XX e, até ao momento, do século XXI”, declarou o responsável da Parque Expo. Entre impostos, taxas ao Estado e às autarquias, a Parque Expo vai desembolsar 4,4 mil milhões de euros até 2010. O Estado recebe assim “sete vezes mais do que aquilo que investiu”, concluiu. |
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